XV de Piracicaba: Resgate do orgulho de ser alvinegro

O XV de Piracicaba é mais do que um time de futebol. É um símbolo da cidade. E foi justamente essa ideia — simples, mas esquecida — que se tornou o ponto de partida e o principal desafio do projeto.

Como reconectar um clube tradicional a uma cidade que havia, aos poucos, deixado de se reconhecer nele?
Como falar com quem não se via mais como torcedor, mas ainda carregava orgulho de ser piracicabano?

Mais uma vez, seguimos por aquilo que sabemos que funciona: pertencimento.

O desafio

O XV vivia um processo silencioso de esquecimento dentro da própria cidade.

A arquibancada era ocupada quase exclusivamente por torcedores mais fanáticos, enquanto o público eventual — que sempre fez parte da história do clube — havia se afastado.

A comunicação acompanhou esse movimento.

Ao longo do tempo, passou a falar apenas com quem já estava dentro da bolha: linguagem fechada, referências internas, discursos pensados para os hardcore fans.

O desafio não era criar novos torcedores fanáticos. Era fazer a cidade voltar a se sentir parte do XV.

A estratégia

A virada estratégica foi mudar o foco da comunicação: 

  • Do futebol para o território.
  • Do fanatismo para o orgulho local.

Entendemos que Piracicaba é uma cidade profundamente ligada à sua identidade.

Mais do que acompanhar resultados, o piracicabano gosta de reconhecer aquilo que é seu, que representa sua história e seu pertencimento.

A estratégia foi reposicionar o XV como um símbolo da cidade, criando uma comunicação que convidasse o público não-fanático a voltar — sem exigir carteirinha de torcedor.

Os pilares da estratégia foram claros:

  • Orgulho Piracicabano: o XV como expressão da identidade local
  • Pertencimento: o estádio como espaço da cidade, não apenas da torcida
  • Inclusão: uma linguagem aberta, emocional e acessível

O posicionamento

O XV passou a se comunicar menos como um clube que precisava de apoio e mais como um patrimônio que merecia ser vivido.

A narrativa deixou de falar apenas de escalações e resultados e passou a falar de cidade, memória, identidade e momento coletivo.

O clube voltou a ocupar um espaço emocional na vida de quem não se dizia torcedor — mas se reconhecia como piracicabano. Andando pela cidade, você ouvia as pessoas comentando sobre o time, histórias de infância e sua conexão emocional com o clube.

O resultado

A resposta foi imediata e crescente.

A partir das quartas de final da Copa Paulista 2025, o público no estádio dobrou a cada jogo.

Torcedores ocasionais voltaram, famílias retornaram ao Barão da Serra Negra e o XV voltou a fazer parte da conversa da cidade.

Na final, o resultado foi simbólico e concreto:

  • Estádio lotado (sold out) na Final
  • XV campeão da Copa Paulista 2025
  • Uma arquibancada que representava, novamente, a cidade como um todo

Conclusão

Pertencimento não se impõe. Se constrói. Mas também precisa ser mantido de maneira ativa.

O case do XV de Piracicaba mostra que, quando a comunicação deixa de falar apenas com quem já está dentro e passa a conversar com o território, o resultado vai além do engajamento ou do público no estádio.

O clube voltou a ser da cidade. E, por isso, a cidade voltou para o clube.